Aprendendo a respirar
O ser humano é capaz, não há dúvidas, de realizar enormes proezas. Hoje nos transportamos entre continentes em poucas horas, curamos doenças desconhecidas através de uma avançada medicina, enxergamos o que está além do nosso sistema solar e ainda descobriremos muita coisa nos próximos anos, meses ou dias.
Entretanto, enquanto avançamos no campo científico, alguns campos parecem ficar para trás. Vamos aos poucos nos tornando seres "amorais", incapazes de observar e muito menos de analisar o que vai mal em nossa sociedade. Ainda que seres que se dizem intelectuais surjam aos montes, não é difícil perceber que todo o seu conteúdo é uma simples cópia mais ou menos mal feita de ensinamentos corretos do passado.
A questão é tão séria que o ser humano já não sabe respirar. Não no sentido natural da palavra, mas no sentido sobrenatural, espiritual. Vejamos isso com um exemplo. Poucos o conhecem, mas o elefante-marinho é um animal capaz de nos ensinar a respirar. Afinal ele consegue passar mais de uma hora submerso e alcança elevadas profundidades abaixo da superfície do mar. Sim, ele consegue chegar em lugares inacessíveis para nós. Nem com todos os equipamentos de mergulho atuais o homem consegue essa proeza.
Então, eu pergunto: "o que acham de imitarmos esse mamífero"? E não pensem que isso seja um absurdo. O pé de pato, tão funcional, não tem origem no formato da pata do animal que lhe deu o nome? O helicóptero não tem seu voo baseado no bater das asas de um beija-flor? E os submarinos não usam a mesma tecnologia utilizada por Deus nos peixes?

Imagem cedida por Taketomo Shiratori
Pois bem, somos seres adaptativos. Se precisamos voar, desenvolvemos máquinas que nos ajudem. Assim se dá o desenvolvimento da técnica e das ciências. E se eu lhes disser que o elefante-marinho é capaz de nos ensinar uma técnica espiritual muito valiosa? Uma técnica que precisamos exercer sobretudo no mundo moderno. Sabemos (e percebemos com facilidade) que seres humanos possuem narinas abertas. Quando mergulhamos, nós bloqueamos a entrada de água por algum mecanismo que não cabe a mim explicar, mas certamente os biólogos o farão com facilidade. Já o elefante-marinho possui narinas normalmente fechadas. Isto significa que ele deve fazer esforço voluntário para abri-las e respirar fora da água.
Ora, não é o mundo atual um ambiente hostil ao homem? Nossa atmosfera não está poluída de demônios e trevas? E não somos convidados a mergulhar com frequência nas profundezas dos oceanos do Espírito Santo? Por que então só fechamos nossas narinas para mergulhar em um ou outro instante, seja ele em uma Santa Missa, em uma adoração ou na oração do Rosário? Fazendo isso, assim que cessado o momento de oração, acabamos por voltar à superfície e respiramos o ar poluído do mundo. Isso nos leva àquele tipo de fé em que precisamos sempre "recarregar nossas baterias".
Portanto, deveríamos fazer como o elefante-marinho. Devemos estar sempre com as narinas fechadas para este mundo possesso. Sim, devemos estar constantemente mergulhando e buscando o fundo do mar. Não apenas na oração, mas a todo instante. Se estudamos, trabalhamos, cozinhamos ou praticamos algum esporte, que façamos tudo isso para a glória de Deus.
Cabe então perguntar-nos: "será que todos os meus gestos têm sido do agrado de Nosso Senhor"? Será que, se em algum momento for preciso sair da água, sou capaz de não respirar o ar contaminado? Tomemos cuidado, meditemos verdadeiramente e profundamente sobre isso. Afinal, pode ocorrer que depois de nos contaminarmos com o ar, não queiramos mais voltar para a água. De fato, o que é mais fácil: manter as narinas abertas, sem esforço, ou aventurar-se nas águas de Cristo?

E uma última observação. O elefante-marinho quase foi extinto no século XIX. Sua pele, gordura e óleo são muito valiosos. Pode acontecer de você, um verdadeiro cristão, também ser perseguido por ser tão valioso. Mas saiba que, assim como há alguém para defender os elefantes-marinhos, também há alguém para nos defender de qualquer perseguição ou zombaria. Que a graça do Senhor esteja com vocês.